Nos últimos anos, uma temática que tem ganhado bastante destaque é o legal design. Já ouviu falar no assunto? Grosso modo, consiste em uma nova forma de pensar o direito, tendo como ponto de partida seu usuário, que é o maior interessado.
Na prática, a aplicação do legal design pode promover grandes benefícios aos negócios da área jurídica, bem como aos seus profissionais, clientes e à sociedade. Por exemplo, permite o desenvolvimento de soluções melhores, mais utilizáveis e envolventes.
A aplicação do legal design conta com diferentes etapas. O mais frequente é que comece com um processo de imersão, tendo por intuito conhecer profundamente o desafio em jogo. Em sequência, estão etapas como ideação e testagem da solução.
Pensando na importância do assunto, criamos um ebook completo para você. Hoje, vai entender o que significa legal design, além de descobrir quais seus principais benefícios e como adotar as melhores práticas ao longo do trabalho. Continue sua leitura.
Margaret Hagan, principal nome do legal design, utiliza o seguinte conceito: “O legal design é a aplicação do design centrado no ser humano ao mundo do direito, para tornar os sistemas e serviços jurídicos mais humanos, utilizáveis e satisfatórios”.
Para compreender melhor, vamos dar um passo atrás e entender o que significa design. O mais comum é pensar no design como algum tipo de desenho ou elemento gráfico, atentando-se apenas à questão estética. Esta é uma percepção limitada e incorreta.
Design vai muito além. Trata-se, na verdade, da solução de um problema, envolvendo, além dos aspectos estéticos, funcionalidade. Por exemplo, veja a alça de uma xícara. Ela não existe por acaso, nem por mera estética, está ali para resolver certo problema.
Em vista disso, podemos definir legal design como o conjunto de princípios e práticas do design para solucionar determinados problemas do direito, permitindo a criação de soluções — como serviços e sistemas — funcionais, mais humanas e envolventes.
Os vários profissionais do direito, como juízes, advogados e empresários jurídicos de tecnologia, podem (e devem) utilizar esta abordagem. Assim, podem prover melhores soluções aos usuários do direito, além de construir organizações mais bem-sucedidas.
Agora que entende que legal design é uma abordagem para criar soluções jurídicas mais úteis, utilizáveis e envolventes, é hora de compreender quais os benefícios ligados ao assunto. Listamos três dos principais, que são: inovação jurídica, soluções centradas no usuário e organizações mais bem-sucedidas, explicadas melhor neste tópico.
Uma primeira vantagem está na inovação. O legal design ajuda a ser mais profundo na compreensão de problemas, assim como criativo em sua resolução. Isso potencializa o desenvolvimento de novas soluções, também melhora produtos e serviços existentes. Na prática, a inovação (incremental ou destrutiva) pode ser vista em diferentes níveis do direito — como melhores documentos, serviços diferenciados, organizações mais bem modeladas ou sistemas jurídicos humanizados.
Soluções jurídicas podem ser complexas e pouco compreendidas pelos usuários finais, causando dúvidas e receio. Existe até um termo próprio, chamado “juridiquês”. Isso é reflexo de soluções pouco centradas no usuário, que normalmente é leigo.
Novamente, o legal design é de grande ajuda. Esta abordagem coloca o foco no usuário, de modo que consiga entender e atender em profundidade suas necessidades. Também melhora a comunicação, fornecendo informações mais claras e bem direcionadas.
Como explicado, o legal design pode ser útil aos diferentes profissionais do direito e, por consequência, às organizações estabelecidas no segmento jurídico, como instituições públicas, escritórios de advocacia, empresas privadas e startups (legal techs), entre outras.
Nesse caso, as organizações tornam-se mais bem-sucedidas ao cumprir de modo efetivo sua missão, que é suprir as necessidades dos clientes. Além disso, podem construir um ambiente de trabalho mais criativo, agradável e que melhora de maneira contínua.
A aplicação do legal design pode variar em função de algumas coisas, como organização, equipe de trabalho, público-alvo e problema em jogo. Todavia, é comum que envolva 5 etapas.
O primeiro passo do processo de design é descobrir muito mais do problema que busca resolver ou da solução que quer desenvolver, de modo que entenda qual o status quo das pessoas e do sistema. Isso exige empatia, curiosidade e disposição.
Neste aspecto, você atuará como um explorador. A ideia central é imergir no problema, entendendo-o pelos vários pontos de vista possíveis, como das pessoas diretamente envolvidas e especialistas no assunto. Quanto mais profundidade tomar, melhor.
Há diferentes métodos que podem te ajudar nesta descoberta. Por exemplo, entrevistas com partes interessadas, consultoria com especialistas no tema, simulação da realidade e acompanhamento dos clientes. Assim, terá uma visão geral da situação.
A descoberta pode gerar uma enorme quantidade de dados, tornando difícil sua análise para tomada de decisão. É aí que entra o segundo passo: a sintetização. A ideia aqui é condensar informações, de modo que tenha uma síntese do que realmente importa.
Na prática, há muitas formas de condensar, como com a ajuda de fluxogramas, mapas mentais, matrizes e painéis de controle. Esta síntese direcionará os demais processos, então é importante transformar seus dados em informações claras e priorizadas.
Com a sintetização, você deverá ter uma visão específica do usuário do seu design — que é o alvo da sua solução. Para tanto, vale investir na construção de uma persona, um personagem que represente seu usuário, com nome, interesses e dores próprias.
Agora que conta com a base necessária de conhecimento, é hora de começar a construir sua própria solução. Neste estágio, geram-se ideias e protótipos, de maneira que conte com os recursos iniciais para fazer testes e validar a novidade.
Boas ideias nascem de muitas ideias. Por isso, o mais recomendado é realizar reuniões de brainstorming, que podem ser traduzidas como “tempestade de ideias”. Nesta reunião, os profissionais do direito são estimulados a pensar de maneira criativa para solucionar os problemas expostos, mantendo sempre o foco no usuário do direito.
Como é contraproducente aplicar todas as ideias, o indicado é triar as melhores. Faça isso com a ajuda da equipe de trabalho. Em sequência, transforme as melhores ideias em protótipos, isto é, soluções minimamente viárias e que possam ser testadas.
O quarto passo refere-se à testagem. É o momento de pegar seus protótipos promissores e aplicá-los na prática, tendo por intuito obter feedbacks e estudar os resultados iniciais. Assim, conseguirá avaliar o que realmente serve e o que deve ser descartado.
Aqui, descobrirá algo importante: uma ideia boa no papel pode ser ruim na prática – e vice-versa. Isso porque a realidade é mais complexa, envolve uma série de variáveis não imaginadas a priori. Então, poderá ter surpresas e é preciso manter a mente aberta.
Você pode pensar em cada protótipo como uma espécie de hipótese para a solução do problema em jogo, sendo que esta hipótese pode (ou não) ser rejeitada a partir dos testes iniciais. Também conseguirá dados para evoluir sua solução, o último passo.
Você dificilmente construirá uma ótima solução na primeira tentativa. Por melhores que sejam suas ideias e seus protótipos, a construção de soluções envolve um processo de refinamento — é preciso ir melhorando aos poucos, evoluindo passo a passo.
Portanto, neste estágio, a missão é contar com todos os feedbacks e dados obtidos por meio dos testes para aprimorar seu protótipo, além de transformá-lo em uma solução efetiva para seus usuários. Aqui, foco e capacidade executiva são itens essenciais.
A ideia é que, após esta evolução, você tenha uma nova solução que possa ser entregue ao usuário, ajudando-o a lidar com certo desafio ou superar um problema. Desse modo, seu processo de legal design terá sido concluído de forma bem-sucedida.
Os vários profissionais do direito podem contar com o processo de descobrir, sintetizar, construir, testar e evoluir. Os advogados, porém, ganham destaque. Estes profissionais precisam de soluções como documentos, serviços, negócios e sistemas cada vez melhores para captar, manter e atender clientes. Veja, então, algumas dicas adicionais.
Uma primeira dica está ligada à cultura da organização. Pense na cultura como todo o conjunto de crenças, hábitos e valores que regem o negócio. Certas culturas são rígidas e burocráticas. Outras culturas são abertas à experimentação.
Invista na construção de uma cultura aberta às coisas novas, de modo que você e seus colegas de trabalho pensem sempre em como melhorar o que está sendo feito e/ou criar coisas novas. Depois, aplique o legal design no desenvolvimento de soluções.
Hoje, algumas das maiores e mais bem-sucedidas organizações denominam-se como customercentric. Ou seja, são negócios centrados no cliente, que existem para entender e atender suas necessidades, além de fornecer uma ótima experiência.
Para construir um escritório mais centrado no cliente, vale mudar algumas coisas. Por exemplo, aplique mais pesquisas de satisfação, analise os dados obtidos, tenha especial atenção aos feedbacks negativos e busque genuinamente melhorar seus pontos fracos.
A conformidade é inimiga do legal design. Se as coisas estão boas o suficiente, então é dispensável investir em abordagens criativas, bem como gastar recursos na construção e testagem de protótipos. O ideal é nutrir uma ambição pela melhoria e inovação.
Para estimular a ambição, estude e compartilhe os benefícios da inovação no escritório de advocacia, bem como nas demais áreas do sistema jurídico. Além disso, invista no desenvolvimento de um perfil empreendedor, ávido por resolver desafios.
Quando o assunto é legal design, seja em livros, artigo ou cursos, é difícil não tocar na temática tecnologia. Isso porque bons softwares melhoram toda a abordagem de design para desenvolvimento de soluções. Veja alguns dos principais exemplos:
Os principais benefícios podem variar de acordo com a tecnologia adotada, é claro. Uma das ferramentas mais importantes é o software jurídico.
Com ele, é possível planejar e controlar a aplicação dos recursos que pertencem à organização, além de monitorar os processos jurídicos e automatizar a geração de uma série de relatórios.
Para selecionar um software jurídico, é importante atentar-se a três aspectos: o grau de especialidade da solução, certificando-se de que é uma tecnologia focada no seu negócio; o compromisso do fornecedor; e a relação custo-benefício, buscando sempre um ótimo equilíbrio.
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